terça-feira, 6 de fevereiro de 2007


Sessão de esclarecimento sobre a IVG:

No âmbito da campanha do referendo, um conjunto de barreirenses decidiu organizar uma sessão de esclarecimento a realizar no próximo dia 7 de Fevereiro. Nesta iniciativa encontram-se envolvidas personalidades ligadas a diferentes quadrantes partidários, congregadas em torno de um movimento que defende a despenalização da IVG.
7 de Fevereiro de 2007, 21h30. Auditório da Biblioteca Municipal. com a participação de:
Fernando Rosas ,Ana Catarina Mendes ,Miguel Amado.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

PELO SIM, PELO NÃO…
Tarde de Junho de 1998, domingo de verão do nosso descontentamento, apesar da mesa de voto número oito registar uma afluência de mais de 60%, bem acima da média nacional. Trata-se de um caso verdadeiramente paradigmático, os seus eleitores são homens e mulheres, operários, trabalhadores, alguns pequenos comerciantes e quadros técnicos, sobretudo gente reformada, que votam esmagadoramente sim no referendo sobre a “Interrupção Voluntária da Gravidez”. Aliás o Barreiro votou maioritariamente sim (cerca de 70% dos votos expressos) numa questão eminentemente cultural que releva da elevada consciência cívica e política dos barreirenses.
Como classifica o filósofo alemão Habernas, existem “dois mundos” na sociedade ocidental moderna: o mundo real, onde subsistem grandes desigualdades económicas e sociais, com muitas famílias sem meios, atingidas pelo desemprego, sem acesso à informação, à fruição cultural, aos recursos informáticos. Particularmente as mulheres são as mais atingidas, com maior índice de desemprego, salários mais baixos, sobrecarga com as tarefas domésticas, violentação sexual. Em Portugal são sobretudo estas as mulheres perseguidas e criminalizadas pela actual “lei do aborto”.
Mas existe “outro mundo”, com recursos, conhecimentos, informação, meios, que permitem resolver sempre todos os problemas, mesmo os mais desconfortáveis. Este “outro mundo”, das duas uma: ou “finge” desconhecer o mundo real, por “distracção”, desprezo ou receio de um dia cair nele; ou reage com cinismo e hipócrita comiseração, chorando lágrimas de crocodilo e fazendo caridadezinha beata. As mulheres deste mundo fazem abortos em secretas clínicas de luxo ou vão ao estrangeiro secretamente, ou seja, é como se para elas a lei não existisse.
Então o que esperam os portugueses para votarem, como já fizeram muitos povos da Europa, a despenalização até às dez semanas, da interrupção voluntária da gravidez, e colocarem todas as mulheres portuguesas em igualdade perante a lei!?...
Permitam-me mais uma reflexão: a igreja patriarcal, que não reconhece o direito das suas mulheres ao sacerdócio, que esconjura todas as formas anticoncepcionais, que está sempre contra o ideário colectivista e abjura o comunismo, fundamentando-se no personalismo cristão, no primado do indivíduo, porque não se coíbe de pressionar o “rebanho”, deixando os portugueses com fé decidirem em liberdade, em consciência, sem constrangimentos de ordem confessional?
No dia 11 de Fevereiro o Barreiro cumprirá o seu desígnio histórico de terra progressista, de grande humanidade, de moderna consciência cívica, de grande sentido de justiça e liberdade.
2 Fevereiro 2007
Armando Teixeira

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007








I. V. G.

Crime sem castigo é a proposta dos adeptos do “não” à despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, o que quer dizer que as mulheres podem continuar a cometer “crime”, mas que o façam no vão da escada para que não sejam vistas e parecer que não se praticam abortos. Fazem vista grossa para que tudo fique na mesma. Usam argumentos demagógicos, razões inversas da realidade que é antiga, desvairadas alegações, como as que afirmam que o feto, antes das dez semanas, já tem alma, crianças que choram na barriga das mães nas primeiras dez semanas, delírio de quem o afirma.
Mas, supondo que assim é? Então, as crianças nascidas aos milhares por este país fora, depois, com um ano, dois, três, quatro e mais, com alimento insuficiente, algumas mesmo passando fome, com doenças de má nutrição e falta de higiene não merecem a abnegada batalha dos que o fazem pelo embrião? Onde estão as damas do não, lutando para que as causas desta calamidade não predominem. Não é a caridade de uma sopa hoje, outra no mês seguinte, que elimina a fome das crianças que passaram o crivo do aborto das mulheres que nada têm para dignificar a vida dos filhos, na atmosfera em que sobrevivem. Imensas crianças vegetam descontentes com a vida que os adultos lhes impõem depois de nascerem.
Os defensores do “não” fazem-no sem darem uma resposta ao problema jurídico que criminaliza a mulher, deixando tudo na mesma, não oferecem solução social e humana para as mães e para os filhos depois de nascidos. Não decidem com frontalidade pelo fim das desigualdades de acesso à saúde que castigam as mulheres dos meios empobrecidos, não se propõem travar o aborto clandestino, negócio que prolifera na sociedade portuguesa há longos anos nos cubículos obscuros de curandeiras, sob a lei proibitiva do aborto. Enfim, não se opõem com uma proposta séria de solução para o problema milenário, o que propõem é a continuidade. Advogam que se mantenha julgar a mulher que aborte uma criminosa, mas, por “compaixão” agora, que não seja criminalizada.
Quando se fala das causas que empurram muitas mulheres para o aborto clandestino como o desemprego que arrasta a insegurança para dentro das famílias empobrecidas, deixando as mulheres num beco sem saída, a mudez impera!
Nas condições políticas, económicas e sociais da actualidade não é dada às mulheres de fracos recursos económicos outra opção. Esta é a realidade que não pode ser escamoteada.
Uma parte dos “nãos” serão sinceros, porque limitados à visão religiosa. Outros porque se pretendem defensores da vida, contudo alguns apoiam acções bélicas de guerras e invasão de países, olvidando que ali se destroçam vidas em plena floração.
Pois eu gosto muito de crianças, e agrada-me muito vê-las bem tratadas, satisfaz-me bastante vê-las correr felizes, e aprecio imenso vê-las a caminho da escola e em grupo saírem das aulas, falando das suas brincadeiras e das coisas que aprenderam. Estas foram desejadas, estão amparadas e são felizes.
Voto pois pelas crianças felizes por isso voto sim à I.V.G.

Carlos Alberto ( Carló)
Pintura: "Aborto" de Paula Rego 1998

O espermatozoide também mexe, cuidado ........

È um tema muito discutido e que está a causar bastante polémica e grande fricção na sociedade. Parece existirem vários tipos de sim e vários de não, digo isto por ver principalmente da parte do não, gente que vai desde a intolerância total aos que concordam que a Mulher não seja presa e que ao mesmo tempo são contra o aborto. é no minimo contraditório. Temos que ser livres no direito de decidir, e a lei actual não permite isso. Na minha opinão pessoal, a igreja não devia intervir porque a questão moral põe se a cada um no momento em que decide interromper ou não uma gravidez porque nem todos são religiosos e neste caso católicos. PS: O espermatozoide também mexe, cuidado com a masturbação, pode vir a ser penalizada.

sãovermelho