sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Aborto...sim ou não!


Mais uma vez, os Portugueses são chamados ás urnas, para decidir em referendo, a despenalização do aborto.
Os cartazes espalhados nas nossas ruas iniciaram já mais uma dura campanha política! Mas, não se trata de uma Eleição!
Trata-se de honrar a liberdade conquistada por este País!
Quantas mulheres se sujeitam a abortos clandestinos sem as mínimas condições?
Quantas dessas mulheres acabam em hospitais, em risco de vida, onde são desprezadas e tratadas como lixo?
Porque o aborto, legal ou não, vai continuar a existir!
Então, porque não criar condições para tal?
Em quantas bocas a palavra aborto se traduz em crime?
E quantas delas não escondem que também o fizeram no passado?
E quantas esposas de Doutores e Engenheiros deste País que se debatem contra a despenalização vão a Espanha fazê-lo comodamente, com as melhores das condições?
Chega de hipocrisia!
Aos que apontam o dedo a quem o faz, nunca se esqueçam do que vos poderá bater á porta!
O facto de uma mulher recorrer á interrupção da gravidez é já um enorme sofrimento, para quê castiga-la como se fosse uma criminosa?
Aos que defendem o Não, que abominam o aborto, a solução é simples...não o façam!
Mas pela liberdade e pela saúde das Portuguesas, deixem-nas decidir!

Marina Ramalho

Vamos votar no sim


quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Queremos uma lei que não criminalize as mulheres.

Atente-se a exemplos de alguns países:
Alemanha – A IVG é permitida até às 12 semanas, a pedido da mulher, após apresentação de certificado médico que comprove ter tido aconselhamento no mínimo 3 dias antes da IVG.
Bélgica - A IVG é permitida até às 12 semanas, quando a gravidez coloca a mulher numa situação insuportável.
Bulgária - A IVG é permitida até às 12 semanas. Após este período, apenas é permitida se houver risco de vida para a mulher.
Dinamarca – A IVG é permitida até às 12 semanas, a pedido da mulher, mediante a apresentação de um requerimento a um médico ou centro social, que aconselhará a mulher e a encaminhará para um hospital, se mantiver a intenção de interromper. Após as 12 semanas, quando a mulher esteja inapta a tomar conta da criança de forma responsável, nomeadamente por ser nova ou imatura.
França – A IVG é permitida até às 12 semanas, por solicitação da mulher. E até ao segundo trimestre por razões médicas. Tem um período de ponderação obrigatório (mínimo 8 dias). No caso de se tratar de jovem menor de 18 anos, tem de ter consentimento de um dos pais ou de um representante legal.
Grécia – A IVG é permitida até às 12 semanas a pedido da mulher.
Holanda – A IVG é permitida até às 13 semanas por solicitação da mulher. Até às 24 semanas, quando comprovada a situação de dificuldade e falta de alternativa da mulher, tendo mantido o seu pedido de IVG.
Inglaterra – A IVG é permitida até às 24 semanas. Para além das 24 semanas, nos casos de risco para a vida da mãe, risco de grave e permanente doença para a mãe e nos casos de risco de séria deficiência do feto.
Itália – A IVG é permitida até aos 90 dias, quando constitui grave perigo para a saúde das mulheres. São consideradas válidas as suas condições económicas, sociais e familiares e/ou as circunstâncias em que se realizou a concepção.
Noruega – A IVG é permitida até às 12 semanas, a pedido da mulher.
Suécia – A IVG é permitida até às 18 semanas, por solicitação da mulher e até às 22 semanas por motivos de força maior (ex: inviabilidade do feto).
Esta é a realidade! Seguindo os argumentos do Não! e o discurso do PAPA, todos estes países e os milhões de cidadãos que envolvem são terroristas e assassinos. Ora, tal não faz sentido. Basta de tanta mentira e chantagem!
11 de Fevereiro é dia de votar SIM !

Nem Obrigado

"Sim à Despenalização, fim do aborto clandestino e dos julgamentos”


Os Portugueses vão ser de novo chamados às urnas para referendar a despenalização do aborto.Deixando de lado a polémica sobre se este referendo é ou não necessário, importa reflectir sobre o sentido de voto de cada um de nós.Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que se o aborto deixar de ser um crime, tal comportamento aumentará o número de abortos feitos em Portugal.

Mas, na minha opinião, o facto de tal prática deixar de constituir crime não significa que todas as mulheres grávidas ficam munidas de uma "licença para abortar".O aborto sempre foi e sempre será um trauma para qualquer mulher.Um trauma psicológico, emocional, a que só se recorre em situações extremas.Não conheço nenhuma mulher que tenha abortado, que o tenha feito de ânimo leve, sem que se sentisse afectada pela culpa, pelo remorso e, muitas vezes, até pelo arrependimento.Não é uma prática a que as mulheres recorram por prazer ou por indiferença. Só o fazem se não tiverem ao seu alcance outra solução.Por isso considero que a lei que está em vigor não serve as pessoas, pois nenhuma sociedade pode viver em paz consigo própria, se, continuar a fazer julgar e condenar mulheres que ao recorrerem ao aborto já se julgaram e condenaram a si mesmas, cumprindo "pena", provavelmente, para o resto das suas vidas.É uma hipocrisia afirmar-se que a alternativa ao aborto numa gravidez acidental ou indesejada é mante-la até ao fim e depois entregar os filhos para adopção.Hipocrisia ainda maior quando todos sabemos que centros de acolhimento e outros locais idênticos, (salvo raras excepções)não passam de quintas onde os Senhores Pedófilos se vão abastecer....Hipocrisia porque só a despenalização do aborto é que pode acabar com o negócio da China que se tornou o aborto clandestino....OS "profissionais" que os fazem, levam cerca de 500,00 euros, que não são sujeitos a impostos, não são declarados, formando mais um elo na cadeia da economia paralela...Por considerar que fechar os olhos a este problema de saude pública, a esta verdadeira chaga social, vou votar SIM no referendo.
Dulce Reis

"ABORTO O CRIME ESTÁ NA LEI”

“ABORTO O CRIME ESTÁ NA LEI”

Em 1998, Portugal assistiu a um debate aceso sobre a questão do direito à vida, do direito à escolha, da sexualidade, etc.…A questão menos debatida foi a justiça de penalizar ou não as mulheres que recorrem ao aborto…
Na minha infância, no período pós 25 de Abril, guardei uma imagem de mulheres nas Galerias da Assembleia da Republica gritando bem alto “ABORTO O CRIME ESTÁ NA LEI”
Durantte os debates acesos o defensores do NÃO utilizaram imagens fortíssimas (Por favor não matem o Zezinho! ) e apresentaram milhentas soluções: apoio para a gravidez na adolescência, para as famílias numerosas, linhas de apoio para grávidas, apoios sociais variados.
Mais de oito anos depois as mulheres são cada vez mais penalizadas, das mais diversas maneiras:
Não existe uma protecção da maternidade – são frequentes os despedimentos de mulheres grávidas ou com filhos pequenos – não existe uma rede de berçários do estado que assegure o cuidados de crianças para as mães trabalhadoras – foram fechadas diversas maternidades por todo o país utilizando uma lógica economicista.
A situação social agravou-se – são notícia, banal infelizmente, o fecho de empresas de norte a sul – o trabalho precário é a realidade vigente – a falta de poder de compra, o aumento da inflação, etc.…
Face ao quadro existente avizinha-se um mês de discussões bizantinas, argumentos piedosos e apelos acalorados.
Começamos a discutir o custo da IVG para o qual é atribuído um valor, se não me falha a memória entre 400 e 700 euros. Nesta óptica a despenalização será má porque irá custar dinheiro ao estado. Será que já foram contabilizados os custos dos tratamentos médicos que são prestados às mulheres que recorrem ao serviço nacional de saúde após um aborto que correu mal? E os gastos do apoio psicológico para as mulheres que sofrem este estigma? E os gastos dos processos judiciais que vêm entupir mais ainda os Tribunais Portugueses?
Com vontade de mandar achas para a fogueira pergunto: será que qualquer mulher gosta, quer ou deseja recorrer ao aborto? Será que iremos continuar a alimentar o negócio triste e sujo do vão de escada? Será que acreditamos que se o Não ganhar que termina este negócio tripartido em que as clínicas de luxo não continuaram com esta prática a preços exorbitantes para a classe alta, clínicas em Badajoz para a classe média e vão de escada para a classe baixa? Será que ficaremos todos de consciência tranquila face à hipocrisia vigente e com a satisfação do dever cívico cumprido?
O âmago da questão continua a ser o mesmo – Será que concordamos com a penalização das mulheres que recorrem á interrupção voluntária da gravidez?
Será que no topo de uma situação degradante e traumatizante ainda teremos que carregar o estigma de um crime?
É preciso não esquecer que ninguém é favor do aborto, os partidários do SIM não pretendem que o aborto seja prática corrente, nem tão pouco imposta a ninguém. Pretende-se apenas e só despenalizar o crime, retirá-lo da LEI.
Ana Porfirio