“ABORTO O CRIME ESTÁ NA LEI”
Em 1998, Portugal assistiu a um debate aceso sobre a questão do direito à vida, do direito à escolha, da sexualidade, etc.…A questão menos debatida foi a justiça de penalizar ou não as mulheres que recorrem ao aborto…Na minha infância, no período pós 25 de Abril, guardei uma imagem de mulheres nas Galerias da Assembleia da Republica gritando bem alto “ABORTO O CRIME ESTÁ NA LEI”
Durantte os debates acesos o defensores do NÃO utilizaram imagens fortíssimas (Por favor não matem o Zezinho! ) e apresentaram milhentas soluções: apoio para a gravidez na adolescência, para as famílias numerosas, linhas de apoio para grávidas, apoios sociais variados.
Mais de oito anos depois as mulheres são cada vez mais penalizadas, das mais diversas maneiras:
Não existe uma protecção da maternidade – são frequentes os despedimentos de mulheres grávidas ou com filhos pequenos – não existe uma rede de berçários do estado que assegure o cuidados de crianças para as mães trabalhadoras – foram fechadas diversas maternidades por todo o país utilizando uma lógica economicista.
A situação social agravou-se – são notícia, banal infelizmente, o fecho de empresas de norte a sul – o trabalho precário é a realidade vigente – a falta de poder de compra, o aumento da inflação, etc.…
Face ao quadro existente avizinha-se um mês de discussões bizantinas, argumentos piedosos e apelos acalorados.
Começamos a discutir o custo da IVG para o qual é atribuído um valor, se não me falha a memória entre 400 e 700 euros. Nesta óptica a despenalização será má porque irá custar dinheiro ao estado. Será que já foram contabilizados os custos dos tratamentos médicos que são prestados às mulheres que recorrem ao serviço nacional de saúde após um aborto que correu mal? E os gastos do apoio psicológico para as mulheres que sofrem este estigma? E os gastos dos processos judiciais que vêm entupir mais ainda os Tribunais Portugueses?
Com vontade de mandar achas para a fogueira pergunto: será que qualquer mulher gosta, quer ou deseja recorrer ao aborto? Será que iremos continuar a alimentar o negócio triste e sujo do vão de escada? Será que acreditamos que se o Não ganhar que termina este negócio tripartido em que as clínicas de luxo não continuaram com esta prática a preços exorbitantes para a classe alta, clínicas em Badajoz para a classe média e vão de escada para a classe baixa? Será que ficaremos todos de consciência tranquila face à hipocrisia vigente e com a satisfação do dever cívico cumprido?
O âmago da questão continua a ser o mesmo – Será que concordamos com a penalização das mulheres que recorrem á interrupção voluntária da gravidez?
Será que no topo de uma situação degradante e traumatizante ainda teremos que carregar o estigma de um crime?
É preciso não esquecer que ninguém é favor do aborto, os partidários do SIM não pretendem que o aborto seja prática corrente, nem tão pouco imposta a ninguém. Pretende-se apenas e só despenalizar o crime, retirá-lo da LEI.
Ana Porfirio
2 comentários:
A despenalização do aborto vai a referendo.Os defensores do "Não" constituiram 15 movimentos e os defensores do "sim", 5.
A disparidade de números vai reflectir-se nos tempos de antena concedidos a cada um dos movimentos.
A nossa Constituição garante a todos o direito de opinar, de pensar e de exorimir o seu pensamento, independentemente de o fazermos em grupo ou individualmente.
O que deixa triste é ver que o movimento do "não", exercendo o seu legítimo direito de opinião, o faça achincalhando, intimidando e utilizando argumentos que rídiculos e absurdos, tratam as mulheres que já interromperam uma gravidez como se fossem criminosas, levianas, calculistas, frias, enfim, indignas de ser mãe.
Utilizam argulmentos falaciosos para tentar desinformar as pessoas, afirmando que será o SNS a suportar os custos das intervenções médicas de interrupção voluntária da gravidez.
"Esquecem", ou melhor, omitem, que os custos para o SNS são bem mais elevados. Os custos sociais de levar avante uma gravidez indesejada, representam para o Estado um custo muito mais elevado do que a despenalização do aborto.
Veja-se um mero exemplo: uma mulher jovem, engravida, por acaso, quer tenha sido porque o contraceptivo falhou, ou por qualquer outro motivo. Não deseja levantar avante tal gravidez. Quem é que tem o direito de a julgar e condenar por isso?Serão os defensores do "não"?Qual é a alternativa? Deixar nascer e crescer uma criança que toda a vida vai ser considerada como um "acidente"? Que futuro espera essa criança?. Dizem os defensores do "não", que as crianças fruto de uma gravidez indesejada, podem ser entregues a uma instituição tipo "casa pia"....Todos nós conhecemos, infelizmente, o que acontece nesse tipo de instituições....Será esse o futuro que merece uma criança que nasceu por "acidente"?....
Gostava que alguém do "não" me convencesse, com argumentos sérios e válidos de que quem aborta, merece ser julgado e condenado, merece ser preso....
Dulce Reis,
A despenalização do aborto vai a referendo.Os defensores do "Não" constituiram 15 movimentos e os defensores do "sim", 5.
A disparidade de números vai reflectir-se nos tempos de antena concedidos a cada um dos movimentos.
A nossa Constituição garante a todos o direito de opinar, de pensar e de exorimir o seu pensamento, independentemente de o fazermos em grupo ou individualmente.
O que deixa triste é ver que o movimento do "não", exercendo o seu legítimo direito de opinião, o faça achincalhando, intimidando e utilizando argumentos que rídiculos e absurdos, tratam as mulheres que já interromperam uma gravidez como se fossem criminosas, levianas, calculistas, frias, enfim, indignas de ser mãe.
Utilizam argulmentos falaciosos para tentar desinformar as pessoas, afirmando que será o SNS a suportar os custos das intervenções médicas de interrupção voluntária da gravidez.
"Esquecem", ou melhor, omitem, que os custos para o SNS são bem mais elevados. Os custos sociais de levar avante uma gravidez indesejada, representam para o Estado um custo muito mais elevado do que a despenalização do aborto.
Veja-se um mero exemplo: uma mulher jovem, engravida, por acaso, quer tenha sido porque o contraceptivo falhou, ou por qualquer outro motivo. Não deseja levantar avante tal gravidez. Quem é que tem o direito de a julgar e condenar por isso?Serão os defensores do "não"?Qual é a alternativa? Deixar nascer e crescer uma criança que toda a vida vai ser considerada como um "acidente"? Que futuro espera essa criança?. Dizem os defensores do "não", que as crianças fruto de uma gravidez indesejada, podem ser entregues a uma instituição tipo "casa pia"....Todos nós conhecemos, infelizmente, o que acontece nesse tipo de instituições....Será esse o futuro que merece uma criança que nasceu por "acidente"?....
Gostava que alguém do "não" me convencesse, com argumentos sérios e válidos de que quem aborta, merece ser julgado e condenado, merece ser preso....
Dulce Reis,
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